O Fisioterapeuta, Cleiton Borges dos Santos,  escreveu excelente artigo sobre a Pliometria. Nele ele aborda o conceito do treinamento pliométrico, mas enfim, o quê é esse treino?

De acordo com ele, as raízes podem ser buscadas no Leste Europeu, onde era conhecido apenas como treinamento de saltos. A expressão exercícios pliométricos foi cunhada por Fred Wilt, treinador norte-americano de atletismo. O desenvolvimento da expressão é confuso: o termo Plyo vem da palavra grega plythein, que significa “aumentar”. Plio é a palavra grega para “mais” e métrico significa literalmente “medir”. Na prática, o exercício pliométrico é definido como um movimento rápido e vigoroso, que inclui o pré-alongamento do músculo e a ativação do ciclo de alongar-encurtar, a fim de produzir a subsequente contração concêntrica mais forte.

O objetivo principal do treinamento pliométrico é elevar a excitabilidade do sistema nervoso para melhorar a capacidade reativa do sistema neuromuscular. Assim sendo, qualquer tipo de exercício que utilize o reflexo miotático ao alongar para produzir uma resposta mais potente do músculo em contração é de natureza pliométrica.

Todos os padrões de movimento, em atletas e nas atividades da vida diária (AVDs), incluem ciclos repetitivos de alongar-encurtar. Imagine um atleta de saltos preparando-se para transferir (ou modificar) a energia “para frente” para energia “para cima”. Na passada final que é dada antes do salto, a perna de apoio deve parar o movimento “para frente” e muda-lo na direção “para cima”.

À medida que isso acontece, o músculo é submetido a um aumento do comprimento pela contração excêntrica para desacelerar o movimento e pré-alongar o músculo. Essa energia de pré-alongamento é então imediatamente liberada em uma reação igual e oposta, produzindo assim a energia cinética.

O sistema neuromuscular precisa reagir rapidamente para produzir a contração de encurtamento concêntrico, a fim de evitar a queda e produzir a alteração do sentido (direção) para cima. Naturalmente, muitos atletas de elite apresentarão, com grande facilidade, essa capacidade de usar energia cinética armazenada.

Atletas menos dotados podem treinar essa capacidade e aumentar sua produção de potência. Consequentemente, o exercício funcional especifico para destacar essa mudança rápida de direção deve ser utilizado na preparação dos pacientes e dos atletas para o retorno à atividade. Como os exercícios pliométricos treinam movimentos específicos de uma maneira precisa do ponto de vista biomecânico, os músculos, os tendões e os ligamentos são fortalecidos de maneira funcional.

O objetivo do treinamento pliométrico é diminuir o tempo necessário entre a contração muscular excêntrica complacente e o início da contração concêntrica de superação. O movimento fisiológico normal raramente começa a partir da posição estática inicial, sendo, ao contrário, precedido por um pré-alongamento excêntrico, que carrega o músculo e o prepara para a subsequente contração concêntrica.

A conjugação da contração muscular excêntrica com a concêntrica denominada ciclo de alongar-encurtar. A fisiologia do ciclo de alongar-encurtar pode ser dividida em dois componentes: reflexos proprioceptivos e propriedades elásticas das fibras musculares.

Os saltos não amortecidos produziram flexão mínima do joelho na aterrissagem e foram seguidos por um salto repercutente imediato. Nos saltos amortecidos, o ângulo de flexão do joelho aumentou significativamente. A produção de potência foi mais elevada com os saltos não amortecidos.

O aumento na flexão do joelho, presente nos saltos amortecidos, diminuiu o comportamento elástico do músculo, e a energia elástica potencial armazenada no CSE perdeu-se em forma de calor. Investigações similares produziram maior altura no salto vertical quando o movimento foi precedido por um contra movimento em oposição ao salto estático.

O grau de alongamento da fibra muscular depende de três fatores fisiológicos. O comprimento da fibra é proporcional à quantidade de força de alongamento aplicada ao músculo. O alongamento final ou a deformação também depende da força absoluta de cada fibra muscular.

Quanto maior a força de tensão, menor o alongamento. O último fator para o alongamento é a capacidade do fuso muscular de produzir uma resposta neurofisiológica. Um fuso muscular com nível de sensibilidade baixo resulta em dificuldade para superar o alongamento rápido e, portanto, produz uma reposta menos vigorosa. O treinamento pliométrico ajudará a estimular o controle muscular no interior do sistema neurológico.

A relação de força e velocidade afirma que quanto mais depressa um músculo for submetido à carga ou a aumento de comprimento excentricamente, maior a produção de força resultante. O aumento de comprimento excêntrico também imporá carga sobre os componentes elásticos das fibras musculares.

O reflexo ao alongamento pode ainda aumentar a rigidez da elasticidade muscular ao recrutar fibras musculares adicionais. Essa rigidez adicional pode permitir que o sistema muscular utilize mais tensão externa sob a forma de recuo elástico.

Outro mecanismo por meio do qual o treinamento pliométrico pode aumentar a produção de força ou potência é o efeito inibidor dos órgãos tendíneos de Golgi sobre a produção de força. Como o órgão tendíneo de Golgi serve como reflexo limitador da tensão, restringindo a quantidade de força que pode ser produzida, o limiar de estimulação para este se torna um fator limitante.

O último mecanismo pelo qual o treinamento pliométrico pode melhorar o desempenho muscular está centralizado em torno da coordenação muscular. A velocidade da contração muscular pode ser limitada pela coordenação neuromuscular. Ou seja, o corpo pode mover-se apenas dentro de um limite de velocidade estabelecido, independentemente da força dos músculos.

O treinamento com o pré alongamento explosivo do músculo pode melhorar a eficiência neural, aumentando assim o desempenho neuromuscular. O treinamento pliométrico pode estimular alterações no sistema neuromuscular que permitem ao indivíduo ter um melhor controle do músculo em contração e de seus sinergistas, produzindo uma força de rede maior mesmo na ausência da adaptação morfológica do músculo. Essa adaptação neural pode aumentar o desempenho ao estimular o sistema nervoso a se tornar mais automático.

O treinamento pliométrico eficiente depende mais do índice de alongamento do que da extensão do alongamento. A ênfase deve ser centrada na redução da fase de amortização. Caso a fase de amortização seja lenta, a energia elástica perde-se em forma de calor, e o reflexo ao alongamento não é ativado.

Inversamente, quanto mais depressa um individuo conseguir transferir o trabalho corporal excêntrico complacente para o trabalho corporal concêntrico de superação, mais potente será a resposta.